Versos íntimos

Vês?! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão — esta pantera —
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

(Augusto dos Anjos)

“Versos íntimos” foi o primeiro poema que me arrebatou, sacudiu, mordeu, mastigou e engoliu. Quando eu era adolescente, a poesia de Augusto dos Anjos me atingiu o peito e a mente como um meteoro de letras cortantes e contundentes, e me trouxe o encanto pela leitura de poesias.

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