Autora de O Mundo Exclamante, livro infantojuvenil lançado em 2016. Desde então, pretendente a poeta e escritora, com várias publicações em antologias de prosa e poesia no Brasil e em Portugal.
líquido desfaz-se e busca a solidez na solidão eterna de um momento líquido – Barman ou Bauman? – Ambos, por favor!
há pontas há ondulações há mágicos atritos que arranham e acariciam
líquido seco que o caos acalma que a calma tinge de guerra com a cor do sangue sem a dor da alma
a língua adormece aos poucos entrega-se à morte do mundo que não vive língua morta de uma mente viva que nunca dorme que nunca morre que sangra na taça
Hoje de manhã, num desses momentos em que olhei lá fora de mim, o sol roçava diferente a mesma folha, com aquela inclinação de outono que ele gosta de usar em abril.
Não foi hoje que abril se abriu, eu sei. Está aí há vinte e oito dias, quase se fechando, mas o sol decidiu outonar naquela folha hoje.
Claro que foi intencional, e escrever com luz na folha foi covardia.
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O sol acariciava de um jeito tão passional o verde, que ruborizei. Fiquei hipnotizada por alguns segundos – daqueles segundos que me fazem querer ser deusa, só para prender e converter o tempo em alguma espécie de verdade e, dele cheia, esvaziar o container de todas as vontades.
Mas nem mesmo chego a ser humana, e sempre perco o jogo quando me meto com deuses: Apolo introduziu a cena e Chronos logo a encerrou.
O que me resta é esperar que, ainda sob o efeito de Apolo, encontre Atena, e ela me ajude a encarar o meio giro manco do planeta… Mais tarde, bêbada de selenofilia, vou-me jogar nos braços de Dionísio, e render meus olhos ao encanto de uma folha em branco.
esse cansaço não é meu é de ninguém e mesclou-se à vontade que não é minha também nem cansaço deve ser talvez uma vasta acepção de todas as decepções “que se me entranha…”