Orelha

Entre os lábios do avesso, cujos poemas conheci pela internet, dá a medida de sua autopercepeção

o cansaço tem o aço

que eu não tenho

a poeta é um ser que viaja para dentro de si para buscar imagens e palavras e, quando lavra as ideias, sempre as pensa diferente do que são em verdade. No caso dos poemas em questão, eles se revelam mais aos olhos dos leitores, do que da própria autora. E é assim que tem de ser: a poesia que não deixa nada para os leitores, morreu antes de nascer, na saída de tudo que se sabe.

Os textos trazem um conjunto de perguntas aos leitores, perguntas sem respostas, mas que num mar de aliterações e assonâncias fazem com que o poema soe música aos ouvidos que de quem viaja pela leitura deles. Seus textos tratam da vida como um fluxo à frente, sempre deixando fluir.

sou toda ouvidos
mas os ruídos ao redor das vozes

É a própria voz do vento que atravessa a voz do poema. O poema é um sibilo. Sua escrita é rápida e ácida, uma espécie de cutucar, um desafiar dos leitores e das formas que namoram, por vezes, com a poesia concreta, como em cebola ou gatilho preso. Um tiro, um soco, uma reflexão, um poema. Um poema-sacode.
lá no fundo

toda raiva é dor
é ferida

convertida

esse choro é fúria
em lágrima

vertida

Nailor Marques Jr, professor e autor de A poesia como substância.

Sinopse

“Entre os lábios do avesso” é uma coletânea envolvente de poemas que reflete a jornada experimental da autora no universo da poesia, abrangendo formas e temas variados.

Com essência reflexiva e intimista, a obra revela algumas de suas paixões, tais como gatos, vinho, filosofia, ciência e o próprio ato de escrever. Também revela suas angústias, inconformismos, cansaços e reflexões sobre a vida, a sociedade e a condição humana.

A autora demonstra um indiscutível gosto por brincar com palavras de um jeito original, utilizando-se de metáforas e analogias incomuns.

A maior parte dos poemas são pinceladas livres, sem amarras estruturais, mostrando sua liberdade criativa. Porém, ao final do livro, a autora apresenta a poesia-espiral, um experimento estético no qual utiliza a proporção áurea, relacionada à intrigante sequência de Fibonacci. Por meio de uma cuidadosa aplicação da razão 21/13, cada verso é construído com um número de caracteres que respeita a sequência de Fibonacci até o número 21, revelando o harmonioso recorte de uma espiral.

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