
no
poeta
mora
um
masoquista
maquiavélico

no
poeta
mora
um
masoquista
maquiavélico

há
sempre
alento
além
do
lamento
imagem: pinterest
líquido
desfaz-se e busca a solidez
na solidão eterna de um momento líquido
– Barman ou Bauman?
– Ambos, por favor!
há pontas
há ondulações
há mágicos atritos
que arranham
e acariciam
líquido seco
que o caos acalma
que a calma tinge de guerra
com a cor do sangue
sem a dor da alma
a língua adormece aos poucos
entrega-se à morte
do mundo que não vive
língua morta de uma mente viva
que nunca dorme
que nunca morre
que sangra na taça

Desceu só na estação. Não viu um degrau. Por sorte quase caiu. Ele a apoiou, pelo restante dos dias.
(microconto com 100 toques exatos, incluídos os espaços)

!
o
ar
que
inalo
desce das
auroras negras
oculto no crespo orvalho


(,,)
e
no
afã
casto
e pecador
descansa o gato
após lamber pelos miados
§
o
nó
sob
o viés
da crença
é cego ao brilho
dos olhos da experiência

o poeta se cansou cedo
ou foi o medo ao ver a pedra
que tanto lhe fartou as retinas?
ele não sabia se rolava ou embalava
a pequena rocha aninhada
no início da própria estrada

havia uma vida
onde não havia sentido
não havia destino
antes da pedra
então vista
naquele caminho
havia uma pedra e Julieta a moldava
dando sentido à tola jornada
que já cansava o Carlos menino

mas o topo da montanha exigia
o pai ao lado da pedra
a pedra ao lado da cria
e chega o mais absurdo dos dias
a filha não resiste à pedra
e o pai vai ao encontro da filha
esse cansaço não é meu
é de ninguém
e mesclou-se à vontade
que não é minha também
nem cansaço deve ser
talvez uma vasta acepção
de todas as decepções
“que se me entranha…”
acho que Pessoa acertou no Álvaro

*
a
fé
que
brota
nas dores
fornece a seiva
da razão áurea das flores
