tantas eras de guerra
todos os castelos no chão
o tempo fala em vão

tantas eras de guerra
todos os castelos no chão
o tempo fala em vão

sóis de urgências
luas de preguiça
o mundo se vira

pêndulo iluminado
preso à linha do infinito
no ápice, o espírito

nasceu no tranco
sobreviveu aos sismos
não vê seu abismo

sentiu um tranco
Tico falou morro
Teco ouviu barranco

rotina supermassiva
horizonte de eventos em xeque
cansei de ser espaguete

o corvo em mim grita
nevermore
Poe, de novo

gases, contração e calor
quanta energia pede esse parto
será que estrelas sentem dor

tal calendário
pétalas falam
seus dias murcharam

rio nada raso
meio cheia me esbaldo
pela metade, o copo é farto
