Não é sempre que posso estar aqui

Não é sempre que posso estar aqui. Por isso estoco-me de silêncio para ficar na parte de dentro das manhãs. Porque eu procuro. Procuro alcançar melhor a superfície contrária dos barulhos, uma vez que o espelho treina em mim olhos já bem desistidos de gritar. Procuro a pausa do que não ouso, mas ouço de involuntária nudez o coração aos sopros. Quase sempre sofro de entressafras no sorriso difícil de tudo. E mudo. Estudo os sensores das palavras enquanto isso, para ajudar na soltura do penúltimo precipício ou quem sabe, para a escalada das submersas camadas do que está apto a não ser. Calo-me nas calamidades, porém, não posso esquecer que há os possíveis timbres da beleza. E continuo. Sem desmerecer. Remover esses entulhos – nada opcionais – está me devorando por causa da memória e seu futuro. Mergulho de frio na pedra movediça do pensar e anseio perguntar sigilos aos domicílios em que me deixei morar. Olha, agora achei um rastelo de pentear areia! Queria arrumar os canteiros do acaso. Esvaziar alguns vasos. Talvez desabar esses muros de arrimo brotados no peito quando da invasão de coisas tão menores. Tenho rumores do mundo. Ainda tremo e me incomodo de urgências. Fecho os cômodos da casa nunca mais inaugural do sonho. Fecho o quintal e deserto meus litorais em litros de leituras, pequenas fúrias, ossos e ninhos, no fundo do que não sei, pois não saber é a extensão mais forte do abandono. Abandonar não é perder. É não olhar. Eu escolho o cansaço quando escrevo, para salvar os nervos da flor que armazenei num tijolo do terraço, mas sinto sono. Não. Não sou a dona desses medos. Dormir atinge-me mais longe do que os lugares me fogem. Abrange anjos antigos quando arranjam-me de música, em plena afasia do que resiste. Anestesia as pedras antes que perfurem a pele transparente dos vidros. Abriga em mim a minha rápida janela. Lapida-me nela. Lápide moída. Menos cega… E me prossegue.

Patricia Claudine Hoffmann

Fonte da imagem: post da autora no Facebook

Fanatismo

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida. 
Meus olhos andam cegos de te ver. 
Não és sequer razão do meu viver 
Pois que tu és já toda a minha vida! 

Não vejo nada assim enlouquecida… 
Passo no mundo, meu Amor, a ler 
No misterioso livro do teu ser 
A mesma história tantas vezes lida.

Tudo no mundo é frágil, tudo passa… 
Quando me dizem isto, toda a graça 
Duma boca divina fala em mim

E, olhos postos em ti, digo de rastros: 
“Ah! podem voar mundos, morrer astros, 
Que tu és como Deus: princípio e fim!” 

(Florbela Espanca, in “Livro de Sóror Saudade”)

Sopro

Encontrei-me a um piscar da sepultura
cavando origens para novos finais.
Eu vi um “jamais” tecido em linho,
no pergaminho perdido de delícias e ais.

Tão mórbida fui quanto mais absurda.
Visitei surda-muda os meus funerais.
Dediquei-me poemas de silêncio,
poeiras ao vento e alguns memoriais.

Registrei tudo aquilo que dei
apenas para recordar que perdi.
E, afinal, que me importa
se foi atrás de uma porta ou na boca de um vulcão
que descansei meu coração?

Vi presentes muito mais do que ontens.
Fui a fome de meus desejos de morte.
Fui as perdas, os abandonos,
a inanição, as tristezas, o sono e a sorte.
Fui outro qualquer que não eu.
Perdi-me nos sonhos dos outros
e descobri que tudo aquilo era eu.

Quis subir minhas próprias montanhas,
adentrar florestas virgens e densas.
Ao estar ali tão perto do planalto, a vertigem,
defronte à paisagem congelada, a visão da fuligem.

Eu já estive morta.
Tropecei em uma sobrevida.
Almejei o fim da estrada,
enquanto a chegada era a minha própria vida.

Tira tu os sapatos!
Anda com o medo nas mãos
e, do medo, descalço!
Cuida das flores que eu não cuidei.
Das sementes largadas ao chão,
já não me lembro quando as depositei.

Perde-te de ti, ó monstro,
promove o encontro!
Encontra o outro
– tão mais longo encontro do que aquele que sei.

Os espinhos nos pés não são nada,
nesta estrada, a doer mais do que o torpor do conforto.
Antes o frio ou o quente ao morno!
Antes o fogo ao gelo, ao terror, ao sono!

À passiva anuência, é preferível o confronto.
À frase dita, inaudível, é preferível o morto
ou o gosto fugaz e tênue do impossível.

Impõe tu o alicate às correntes.
Tua alma está acorrentada à mente,
paralisada por Idades de Ouro.

Não te imponhas ganhar a corrida, à princípio, perdida.
O Tempo saúda-nos ao sopé da muralha.
Tua espera não vale mais do que a chuva e o nada.
Então, machuca e sente a dormência das pernas!
Teu sangue tarda mas ainda corre.

Vá à pé e te demora na estrada!
Sob o negrume da lua,
acorda o teu animal, antes que tarde.
Eu te encontro depois da sangrenta luta,
no ponto de curva após a reta final.

Vá ao teu funeral dar despedida
à vida ou à vida que achavas que tinhas.
Não sê vulgar visita em tua própria casa,
nem figurante perdido em tuas próprias batalhas.
Não és tão importante, que o cenário te eternize,
nem tão medíocre, que não te possas eternizar.
Sê eterno, então: protagoniza!

Desculpa-te a pretensão de ser tão banal.
Escreve o enredo distinto, vulgar ou nobre,
de ouro, de ferro ou de cobre.
Faz do teu sopro mais do que simples mural.

(Deise Zandoná Flores)

fonte da imagem: post da autora no Facebook

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Alta Sensibilidade – Deise Zandoná Flores
http://www.altasensibilidade.com

Em parte, ir

Eu não te vi, mas

te senti bem aqui,

ao lado, sentada,

mão na mão, dadas,

colada ao coração

em oração.

Me vou,

a hora chegou

e urge agora.

Não chora.

Pode não acreditar.

Me olha.

Não vou abandonar

de todo.

Vigora,

a eternidade,

na humanidade

nossa.

Esta senhora

de todos destinos,

comprova que

estaremos sorrindo,

muito em breve.

Sob este sol lindo,

nossa paixão

escreve alheia,

deitada na areia…

Sossegue, sossegue.

(Roldan Neto)

fonte da imagem: post do autor no Facebook

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Um dia de sol

Quem me dera
um dia de sol.

Um dia
onde eu pudesse expressar
meus escusos sentimentos .

Onde a ampla querência
de meu humano coração
não me exigisse
uma urgência de vida,
mas,
uma interpretação
e exposição
da pluralidade de minha alma.

Quem me dera
um dia de sol
que não fosse embrutecido,
retido,
esterilizado pelas vísceras
de toda uma vida combalida.

Quem me dera
um dia de sol
e
sal.

Um dia
em que nuvens se abrissem
não somente aos raios de sol,
mas, também,
aos corpos em carícias,
aos gestos familiares
e aos passeios pelos parques.

Quem me dera
um dia de sol
na imensidão azul do céu.

Um dia
em que aves registrassem seus voos
sem medo das mãos dos passarinheiros.

Um dia
em que redes atadas tolerassem
a força do amor,
em que ventos soprassem doçuras
em vez de tempestade.

Um dia
que nosso destino
(remanso calmo)
nos trouxesse algo,
além do silêncio
e
da
solidão.

Um dia
em que pudéssemos
determinar
(sem medo,
sem exigências
e sem obrigações)
nossos textos existenciais.

Quem me dera
um dia de sol.

Um dia
sem rupturas
e sem traumas.

Um dia
em que a nossa tessitura
de vida
fosse telhados abertos
aos adventos do sol.

Um dia
em que pudéssemos abreviar
a força do vento.

Um dia 
em que a esquadrinhação da vida
estivesse sobre os ombros
de todos os homens da terra.

Um dia
em que as referências,
inferências,
ânsias,
tolerâncias,
importâncias
e inconstâncias
de todos nós
fosse mesurada somente
pela pungência da vida.

Um dia
em que os jardins das casas
e os telhados sublimosos das dores
fossem empenhados
(primeiramente)
a conquistarem um lugar ao sol.

Um dia
em que os álbuns pátrios
e os gestos efusivos
fossem,
(e estivessem),
sublinhados de subterfúgios de vida.

Um dia
em que as pétalas se abrissem
à beira da estrada
sem medo da velocidade dos homens
e da poluição do ar.

Um dia
em que as conveniências da mãos
facilitassem as colheitas
nos roçados da vida.

Um dia
em que o próprio sol
não trouxesse pra dentro de nós
os seus celeiros de dor.

Um dia,
somente um dia de sol.

(OXORONGA, Alufa-Licuta. O verbo e o homem. Editora do Carmo. Brasília-DF)

Bio/Grafia
Alufa-Licuta Oxoronga, inconsútil vivente. Nascido em útero envelhecido. Em tempo de calmaria. Uterinizado por dentro feito magma. Feito avessado moinho. Desde molecote tem parido angústias. Tem gestado grãos em avessamento de moinho. Ainda menino se achou rabiscador de terreiros. De palavras. De desenhos. De sonhos. O palavreado mais parecia brisa ao entardecer. Os desenhos, orvalhos se entregando ao sol. Os sonhos, caminhos brotados de tempo. Mais tarde se descobriu apanhador de silêncio e solidão. De tanto escrever, pintar, sonhar e sentir, pulsou para dentro de si um gosto amargo de ser. De um existir-existindo que mais parecia negros escorpiões nas fendas escuras das paredes de taipa. Mais parecia a mudez de uma madrugada em tempo de intermitente chuva. Desde então tem trilhado o inóspito caminho da esperança. Em espera e andanças. Em agônicos (e diários) sentires. Dos esgarçados verbos e do entrelaço da fala e da escuta tem feito o seu existir.

(por Alufa-Licuta Oxoronga)

Submersa

Sobrevida submersa,
sem resgate, sem futuro.
Falso tempo é o que resta.
Neste mar, sou náufraga
em metáforas sem rumo.

Pensamentos expulso,
escusos.
Sentimentos em conchas resgato.
Do abismo profundo,
obscuro,
emerge nau
de universo impuro.

Sulca o velho mar o corpo,
salgam antigas lágrimas a alma.
Para aquela nau não há porto,
para este espírito não há calma,
senão a do horizonte
morto.

Sinto a seiva do sal que me salva,
sorvo a paz que substitui a vida.
Ao negro abissal desfaço-me,
sou água
em metáforas perdida.

(Sandra Boveto)

crédito da imagem: Robert Cornélius photography

Quem dera transportasse a própria ida…

Cultivava os pés no solo do caminho para não perder os passos há muito já perdidos. Os braços, as embarcações, os embaraços da vida erguidos num ato de rendição ao esquecimento. O sono dobrava as esquinas do corpo, dobrava as pernas, dobrava a água nos olhos de cada filamento luminoso, porque era de promessa e vento a chuva que se fazia no lado de dentro das retinas. Era um retorno isento de saudade, a lágrima da sedação, guardada para a sede, após o dormir do rosto – mais tarde – de tudo aquilo que resiste no inesgotável furto de futuro, da solidão de sóis… Eram as solas doídas no escuro das manhãs, a se encolherem no recolher de todos os escudos. Cegos. Sórdidos. Mudos. A ajuda na planta dos pés, moída de muda e de escolha. O casco machucado dos cavalos. As bolhas de sabão de sábado a pousar nos ontens, intactas, sobre os sapatos limpos.

(De Patrícia Claudine Hoffmann)

Fonte da imagem: post da autora no Facebook

Detalhes humanos

Tempos confusos esses em que os humanos habitam o planeta. Confusos humanos perdidos em sua existência inconsciente e inconsequente sobre um esférico presente.

Não, Fulano, esse presente não está embalado. Pare de rasgar e destruir o que você considera embalagem, ou laços e fitas sem importância. Você não encontrará nada que valha tantas penas abaixo disso. Os detalhes colocados na superfície do presente não são apenas enfeites, e não são descartáveis. São elementos que o integram e sustentam sua vida, e deles fazem parte os outros mais de sete bilhões de detalhes humanos como você. 

Talvez você não saiba, mas, sempre que uma vida, humana ou não, é desrespeitada, desvalorizada, rasgada e jogada no lixo, o presente torna-se menos presente na sua vida equivocada. Há menos presente e mais passado a cada pedaço de planeta rasgado, e sua vida está no presente… neste presente.

Fonte da imagem: página Hora da Ciência (Facebook)


Seu maior engano, Beltrano?

Você tenta arrancar a quota do presente que não lhe pertence da mão do outro a qualquer custo. Na sua mente egocêntrica, você acredita ser algo mais do que é qualquer outro humano a quem foi precariamente entregue esse presente, e furta-se às regras básicas de uso de tudo que pertence a todos: ética, empatia, respeito e responsabilidade.

Veja como seu espírito é ilógico e ignorante: você acredita que a embalagem do esférico presente não tem valor, mas a embalagem da sua espécie tem. Acredita que a cor e a forma da sua própria casca, ou o invólucro que ela utiliza para usufruir o presente, são mais importantes que o seu conteúdo, ou que determinam algum tipo de padrão de qualidade superior.

Imbecil que é, você viola, mata e destrói cada pedaço do presente ao seu alcance, a fim de dominá-lo. Mas se você não acordar, sabe qual será seu futuro, Sicrano? Será o de uma embalagem vazia e descartável dominando um pedaço de esfera arruinado, e apenas pelo tempo que sua breve vida ou o resultado da sua ignorância permitirem.

(Sandra Boveto)

Útero de pedra

O maior perigo da vida
é se ter um útero de pedra
na hora do rebento nascer.

É se ter um peito fechado
à própria existência de ser,

é se construir de nuvem
na hora do sol aparecer.

O maior perigo da vida
não é morrer antes de ser,

o maior perigo da vida
é só o silêncio saber.

Ainda no útero materno
quis o homem ser pedra;

quis o homem sofrer
os seus nódulos de pedra.

A vivacidade do homem
ao entregar-se à pedra
determinou-o, em vida,
a ter um útero de pedra.

Um sólido útero-mineral
em um rogo peditório.

Um útero sólido e notório
como uma lápide sepulcral

E desde aquele dia
a semente do útero
tem dado um fruto de pedra.

E na frialdade da pedra
este fruto se avilta
mas não deixa de ser pedra.                    

E quando a porta do útero
se abre para a vida,
o que nasce não é homem:
mas pedra lascada ou polida.

E a vida, instigada,
rasga por dentro seu velcro
de veias, de sangue, de vida
e abre-se por fora em pedra.

E foi assim que nasci:
não como nascem
os filhos de hora primeira.

Eu nasci
como nascem
os filhos de mãe parideira.

Fui lançado pra vida
como folha trepadeira,

fui jogado pra baixo
como rama rasteira,

fui deixado de lado
como vento passageiro.

E assim fui nascido:
não como nascem
os filhos de vida inteira.

Eu nasci
como nascem
os filhos de mãe-poedeira:

trazido para a vida
como um risco de carvão,

tangido para a terra
como um ressequido grão

e às vezes, desmerecido
do acalanto de uma mão.

A minha mãe parideira
cansada de tanto parir
quis uma pedra em seu útero
para nunca mais se partir.

E meu pai, um tanto enfático,
pôs-se a recusar.

E deu à ela, (em sonho fálico)
um nova pedra pra cuidar.                                                                    

E foi assim que nasci,
não como nascem as pedras
prontas para resistir.

Eu nasci pra ser rasteiro,
pra nunca me levantar,

nasci pra ser derradeiro,
pra nunca longe chegar.

O meu próprio nascer
foi feito para selar.

E quando viu que eu vinha
a sua pétrea-vida cerzir,

a minha mãe parideira
se desabou a sorrir.

Imaginava-se velha
e imprópria para parir,

mas em seu útero de pedra
teve que me gerar, me nutrir.

E foi assim que nasci,
ou melhor: fui sacudido.                    

Quem nasce como eu nasci
não nasce: é expelido!

E depois que eu nasci
com esta substância de lava,
uma lava de pedra e palavra
veio-me em fúria ferir.

E até hoje não me lembro
se a minha mãe parideira
tenha voltado a sorrir.

Só me lembro do útero-pedra
e da minha ânsia de existir.

De minha pequena e rasa vida
sem peso pra expandir,

se aglutinando na vida
sem força pra resistir.

Das sedimentares paisagens
que ainda crispa o olhar,
lembro-me do despertar pra vida
e o choro do primeiro olhar.

Lembro-me de minha mãe parideira
a embalar-me de mansinho,

uma lasca de pedra franzina
sem a sua força constumeira;

um répobro e sem feitura:
pedra pouco conhecida.

Eis a minha releitura
pra minha leitura de vida.

Eu mesmo não sei dizer
se em toda a minha vida
vi a vida se enternecer.

Eu mesmo não sei dizer
se em toda a minha vida
fiz algo por merecer.

Só sei que do útero-pedra
esta pedra canga nasceu:

pedra-pétrea-pétrea-pedra
pétrea-pedra-pedra-pétrea

Pedra de núcleo maciço
mas de pouquíssimo arremesso,

Pedra que desde o começo
não teve um sonho inteiriço.

Pedra sem sustentação
e de desprezível valor,

pedra-pétrea sem valor
e com víscera de solidão.

Pedra de pouca importância
petrificada em areia,

pedra-pétrea que anseia
por um viver sem ânsia.

Pétrea-pedra sem referência
jogada, largada ao chão.

Pedra que ainda guarda querência
de um humano coração.

OXORONGA, Alufa-Licuta. Útero de pedra.
Editora do Carmo. Brasília-DF.

Bio/Grafia
Alufa-Licuta Oxoronga, inconsútil vivente. Nascido em útero envelhecido. Em tempo de calmaria. Uterinizado por dentro feito magma. Feito avessado moinho. Desde molecote tem parido angústias. Tem gestado grãos em avessamento de moinho. Ainda menino se achou rabiscador de terreiros. De palavras. De desenhos. De sonhos. O palavreado mais parecia brisa ao entardecer. Os desenhos, orvalhos se entregando ao sol. Os sonhos, caminhos brotados de tempo. Mais tarde se descobriu apanhador de silêncio e solidão. De tanto escrever, pintar, sonhar e sentir, pulsou para dentro de si um gosto amargo de ser. De um existir-existindo que mais parecia negros escorpiões nas fendas escuras das paredes de taipa. Mais parecia a mudez de uma madrugada em tempo de intermitente chuva. Desde então tem trilhado o inóspito caminho da esperança. Em espera e andanças. Em agônicos (e diários) sentires. Dos esgarçados verbos e do entrelaço da fala e da escuta tem feito o seu existir.

(Alufa-Licuta Oxoronga)